Oremos por Uganda - Encanto de Uganda
- Por
- Marcos Teixeira
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Encanto de Uganda

As apresentações de Watoto são uma mistura de ritmos africanos, música contemporânea e dança ? além, claro, de uma poderosa demonstração de fé.
Uganda, na região central da África, é uma daquelas nações que só entram no noticiário internacional pela porta dos fundos. Extremamente pobre, a pequena República, com 25 milhões de habitantes, já sofreu com guerras, massacres étnicos e governos totalitários – o mais sangrento deles comandado pelo ditador Idi Amin Dada, responsável pela morte de 300 mil ugandenses nos anos 1970. Atualmente, o maior drama do país é a Aids, que se alastra sem controle pelo chamado Continente Negro. A face mais cruel da epidemia pode ser vista no rosto das crianças órfãs que vagam pelo país: nada menos que 12% da população infantil de Uganda vive sem pai nem mãe. Cerca de 1,7 mil delas, contudo, estão experimentando na prática as promessas bíblicas acerca da providência divina. Elas são atendidas pela missão Watoto Child Care Ministries, um ministério evangélico voltado para a infância. A organização tem representado a diferença entre a vida e a morte para crianças como a pequena Emily Esther Tusiime, de nove anos (ver abaixo).
Em março, o Coral Watoto, mantido pela entidade, percorreu diversas cidades brasileiras. Vestidos com trajes típicos, sorridentes e esbanjando alegria, os cantores mirins têm em comum o passado de sofrimento que ficou para trás. Desde 1994, o grupo excursiona pelo mundo, mas esta foi sua primeira vez no Brasil. Acompanhado por uma equipe reduzida de adultos, as apresentações de Watoto são uma mistura de ritmos africanos, música contemporânea e dança – além, claro, de uma poderosa demonstração de fé. Atualmente, são cinco as equipes em atividade. Cada criança participa de apenas uma viagem, que pode durar até seis meses. É uma oportunidade única para meninos e meninas que, de outra forma, jamais sairiam das regiões onde nasceram. Além da experiência musical, há ainda o enriquecimento cultural que é oferecido aos participantes dos corais.
O Ministério Watoto surgiu em 1988, fruto da iniciativa do casal de missionários americanos Gary e Marilyn Skinner. Após violenta guerra civil em Uganda, eles sentiram o chamado para implantar uma igreja em Kampala, a capital do país. A idéia era melhorar as condições de vida da população local através do Evangelho e da ação social. Eugene Stutzman, um dos líderes da entidade, acompanhou a visita ao Brasil. Segundo ele, a atuação de Watoto junto às crianças ugandenses tem tido muito sucesso: “Num país de maioria muçulmana, mas cuja intolerância religiosa não é das piores, há uma convivência estável e até respeitosa”, diz. Isso contribuiu, segundo ele, para obter o apoio das autoridades para os projetos realizados pelo ministério – os principais deles voltados ao cuidado e suporte para crianças vitimadas pela guerra, pobreza e ignorância.

Mães substitutas – Eugene explica que a principal estratégia é levantar a geração seguinte de Uganda. Isso se inicia colocando crianças sem pais junto a famílias substitutas, onde recebem cuidado emocional, físico, educacional e espiritual. As vilas Watoto possuem lares, escolas, áreas de lazer e esportes e uma infra-estrutura que o governo não pode oferecer. As mães substitutas são escolhidas após um longo processo de seleção e cada criança é acolhida por uma dessas mulheres. Ali, elas têm à disposição atividades artísticas – canto e dança, principalmente –, estudos bíblicos e educação escolar.
Outro projeto de Watoto são centros de reabilitação e reintegração familiar instalados no distrito de Gulu, no norte do país, bastante afetado pelos recentes conflitos. Cerca de 3 mil crianças da região foram seqüestradas e incorporadas à força no Exército. As que sobreviveram foram abandonadas à própria sorte, sem família e sem infância. A maior parte das crianças assistidas pelo ministério está na faixa entre oito e 12 anos de idade – mas há também os 80 bebês do núcleo Baby Watoto, que recebe não apenas órfãos como também os que foram abandonados. Caso de Jamalia Talemererwa Serunkuma, encontrado em 2003 dentro de uma latrina com apenas cinco anos de idade. Fora deixado lá pelo próprio pai, para morrer. A identidade da mãe nunca foi revelada, de forma que é difícil saber detalhes de sua curta e dura existência. Conduzido à Vila das Crianças de Suubi, onde vive sob os cuidados da mãe substituta, Robinah Naulya, hoje ele tem dez anos e é uma criança normal, que gosta de ir à escola e não dispensa um brinquedo.
Novo rumo
Emily Esther Tusiime perdeu os pais, Justine e Levi, para a Aids em 2005, ficando sozinha com mais quatro irmãos. Levada para o Centro de Saúde de Rwashameire, distrito de Ntungamo, seu futuro parecia selado quando a irmã mais velha, que ainda sustentava a família na lavoura, também morreu. Sem rumo, Emily pediu ajuda a um pastor da Igreja Pentecostal de Mbarara. Foi então encaminhada para a Vila das Crianças de Suubi, mantida pelo Ministério Watoto. Hoje, aos nove anos de idade, já tem consciência do que quer: “Quando crescer, vou ajudar outras crianças a terem um futuro como o meu.”
Carlos Fernandes


















